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"Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”

Naquele tempo, 9Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos.11Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” 12Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13A­prendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.
Evangelho (Mateus 9,9-13)


Homilia:


Realmente era verdadeira a acusação dos puritanos a Jesus: “Andas com pessoas de má fama”. Assim o evidencia o Evangelho de hoje, em que o Senhor chama para a sua companhia, como um apóstolo mais, Mateus – a quem Marcos e Lucas chamam de Levi -, publicano de profissão, isto é, cobrador de impostos para os romanos, a potência estrangeira de ocupação. Os abusos dos publicanos, “ladrões oficiais”, eram manifestos, pois aí radicava a sua margem de lucro. Por isso deviam ser evitados social e religiosamente, na opinião dos mestres da ortodoxia judaica.

Por que essa preferência de Jesus pelos marginalizados da salvação? “Não tem necessidade de médicos os sãos, mas os doentes. Ide, aprendei o que significa quero misericórdia e não sacrifícios: com efeito, eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Eis aqui a explicação da conduta de Cristo e o substrato de todo o Seu ministério de encarnação na raça humana, a razão de toda a Sua vida e do Seu Evangelho, a finalidade da Sua Morte e Ressurreição.

Jesus provoca intencionalmente o escândalo dos puritanos tomando partido pelos pecadores para mostrar a misericórdia de Deus, que os acolhe e perdoa como faz o pai do filho pródigo. Mais ainda: avisou os chefes religiosos do povo judeu de que publicanos e prostitutas lhes antecederiam no caminho do Reino de Deus. De fato, foram os pecadores e ignorantes, os pequenos e os pobres, os doentes e marginalizados que captaram a mensagem libertadora de Cristo melhor que os justos e os sábios, os grandes e os entendidos.

Ninguém, pois, deve escandalizar-se; porque a misericórdia de Deus não é cumplicidade e laxismo permissivo, mas procura do homem para o promover e o redimir. Mateus era um marginalizado da salvação e um discriminado social, como o são hoje tantos homens e mulheres. Não obstante, ou precisamente por isso, Cristo dignifica-o e restabelece-o na sua condição de pessoa e de filho de Deus com o voto de confiança que supôs o convite do “Segue-me”; sugestão que, por certo, contava com todos os pressupostos em contrário. Mas para o Senhor a pureza religiosa autêntica não é a legal, mas sim, a conversão ao amor, à piedade e à misericórdia.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

‘Levanta-te e anda’

Naquele tempo, 1entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!” 3Então alguns mestres da Lei pensaram: “Esse homem está blasfemando!” 4Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: “Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5O que é mais fácil, dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’?6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, — disse, então, ao paralítico — “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. 7O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens.
Evangelho (Mateus 9,1-8)


Homilia:



Deus continua a reconciliar-nos com Ele por meio de Cristo e da Igreja, como afirma São Paulo. Efetivamente, Jesus ressuscitado transmitiu aos apóstolos e à comunidade eclesial o poder do perdão: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados”. O perdão dos pecados foi um dos temas básicos da evangelização dos apóstolos como vemos pelo livro dos Atos.

Cumpriam assim o mandato de Cristo ressuscitado antes da Sua ascensão: correr o mundo inteiro como as testemunhas pregando, no nome do Senhor, a conversão e o perdão dos pecados. Desta forma pode a Igreja ser o “sacramento universal da salvação” de Deus para o homem pecador, para a humanidade inteira.

Segundo a Teologia, as dimensões do sacramento do perdão, também chamado penitência ou reconciliação, são basicamente três: a cristologia, a eclesial e a pessoal. A dimensão cristológica e pascal verifica-se na reconciliação do pecador com Deus em virtude do perdão universal dos pecados que se deu de uma vez para sempre na cruz redentora e gloriosa de Cristo. “No sacramento da penitência atua a força da Paixão de Cristo mediante a absolvição do sacerdote, juntamente com a colaboração do penitente que coopera com a graça de Deus na destruição do pecado” ( Santo Tomás de Aquino).

A dimensão eclesial e comunitária da reconciliação indica que o perdão de Deus ao homem se realiza também por mediação da comunidade de fé, culto e vida que é a Igreja. Do mesmo modo que o pecado tem projeção social, o seu perdão tem também referência comunitária na reconciliação com os irmãos e com Deus. É a absolvição do sacerdote que restabelece essa comunhão vital.

Finalmente a dimensão personalista do sacramento da reconciliação radica na alegre experiência pessoal do perdão de Deus, que nos regenera e reabilita, restabelecendo-nos na condição de filhos d’Ele e irmãos dos outros.

No seu ritmo celebrativo, o sacramento da penitência é e deve aparecer sempre como a festa do perdão e da reconciliação com Deus e com os irmãos.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram!

Naquele tempo, 28quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”.30Ora, a certa distância deles estava pastando uma grande manada de porcos. 31Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”.32Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.
Evangelho (Mateus 8,28-34)


Homilia:


Como milagre que é, a cura que nos ocupa é também sinal de que o Reino de Deus chegou ao mundo dos homens por meio de Cristo e de que o Reino de Deus está operando já a vitória do bem sobre o mal. A lição fundamental que do fato se depreende é que os exorcismos de Jesus libertam o homem do medo do poder do diabo e da submissão ao mesmo. Os demônios ficam submetidos instantaneamente com uma só palavra de Jesus, porque o poder de Deus vence qualquer outro poder. E nele deve confiar o cristão.

No texto evangélico os demônios protestam porque Jesus os ataca antes do tempo: “Que queres de nós, Filho de Deus? Viestes atormentar-nos antes do tempo?”. Segundo a escatologia judaica, no final dos tempos, Deus ataria e castigaria os demônios que andam soltos pelo mundo fazendo mal aos humanos. Essa hora chegou com Jesus. Os demônios reconhecem que a duração da sua obra maléfica tem um limite imposto por Deus. Com o Seu poder sobre os demônios Jesus aniquila o poder de satanás e inaugura o Reino messiânico. O diabo sabe disso, mas os homens parecem não compreender essa realidade. Embora a manifestação definitiva de tal vitória de Cristo tenha lugar na escatologia consumada final, chegou já a hora em que é vencido por completo “o príncipe deste mundo” e “o poder das trevas”, como afirmou Cristo nas vésperas da Sua paixão e morte.

O porco, o animal mais impuro de todos segundo os judeus, era o lugar adequado para os demônios expulsos por Jesus. Mas até os porcos o rejeitam. Já não há lugar para os demônios num mundo em que entrou o poder salvífico de Deus.

O demônio é a personificação do poder inimigo de Deus, que se opõe a salvação do homem, impedindo-o de avançar pelo caminho do bem e separando-o do Senhor. Libertar-se da influência do maligno é o triunfo da salvação, graças ao favor do Todo-poderoso, que é o mais forte. Tal poder apareceu visivelmente em Jesus de Nazaré e atua eficazmente na Sua Pessoa, na Sua Palavra, na Sua Morte e na Sua Ressurreição.

Proclamá-lo, como ordenava Jesus ao doente curado, faz parte da mensagem evangélica de libertação. A comunidade cristã e cada cristão pessoalmente devem mostrar na sua vida e conduta que, pela comunhão com Cristo e com a graça do Alto, venceram o maligno em todas as suas manifestações do mal e do pecado: ódio e mentira, injustiça e opressão, ambição e egoísmo, luxúria e soberba.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

“Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”

Naquele tempo, 23Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. 24E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia.25Os discípulos aproximaram-se e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” 26Jesus respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?” Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande cal­maria. 27Os homens ficaram admirados e diziam: “Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
Evangelho (Mateus 8,23-27)





Homilia:


A súplica desesperada dos apóstolos perante o perigo do vento e das ondas: “Senhor, salva-nos, que nos afundamos!”, demonstra indubitavelmente uma fé inicial no poder de Jesus, e de maneira mais patente que no relato paralelo de Marcos, em que os discípulos acordam o Senhor dizendo-Lhe: “Mestre, não te impostas que afundemos?” Mas essa fé inicial não era suficientemente madura e forte para vencer o medo diante de uma confiança incondicional.

Facilmente podemos transpor a cena para a situação da Igreja, tanto das origens, que rapidamente conheceram a perseguição, como a de hoje e de todos os tempos, que caminha para Deus entre cansaços e esperanças. Devido à nossa fé débil ficamos nervosos com frequência; mas Jesus não falta. Ele guia sempre o Seu povo, tanto em tempo e tranquilidade como de crise e adversidade. Prometeu-o e cumpre-o: eu estarei convosco até o fim dos tempos. Por isso o poder do mal não afundará a barca da Igreja.

O seguimento de Cristo tem as suas dificuldades, hoje como sempre. Se no passado era relativamente fácil ver a presença e a Mão de Deus nos acontecimentos da natureza e da história, hoje, porém, num mundo secularizado, o crente necessita de uma fé robusta e sem medo para descobrir a presença do “Deus adormecido e ausente” no meio das aspirações do homem atual e compromisso pessoal e comunitário em prol da justiça, do progresso e da ação para o serviço da promoção e libertação humana, especialmente dos mais desprotegidos.

Não faltarão os momentos de prova para a nossa fé, similares aos da tormenta do lago [no qual estavam Jesus e os discípulos]. Quando a tempestade nos açoita impiedosamente; quando a Igreja de Cristo é perseguida e oprimida; quando o mal triunfa e se obscurecem os valores do bem e da verdade; quando sofremos injustamente; quando nos visita insistentemente a dor; quando a pobreza, a doença, a desgraça ou a morte se tornam altivamente presentes na nossa vida; quando, numa palavra, nos dói o silêncio de Deus, que parece estar “dormindo a sesta”, como Jesus no barco, então surge espontânea a queixa nos nossos lábios: “Não te impostas que nos afundemos?”

Se o nosso grito é oração, está bem. Mas se é desconfiança por falta de fé, teremos que escutar o corretivo de Jesus: “Covardes! Que pouca fé!”

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

“Senhor, eu não sou digno de que entres em minha morada!"

Naquele tempo, 5quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6“Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. 10Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. 13Então, Jesus disse ao oficial: “Vai! e seja feito como tu creste”. E, naquela mesma hora, o empregado ficou curado. 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”.
Evangelho (Mateus 8,5-17)


Homilia:


Os milagres, mais que apoiar a fé em Cristo, brotavam, da fé prévia n’Ele. Era a fé dos que lhos mulplicavam e confiavam no poder de um homem de Deus, que suscitava a intervenção extraordinária da energia divina que residia na pessoa, palavras e gestos de Jesus de Nazaré. Contudo, também é certo que, num segundo momento, o milagre vinha confirmar e afiançar essa fé inicial, como anota o evangelista João depois de relatar a conversão da água em vinho nas bodas de Caná: “Jesus manifestou a sua glória e cresceu a fé dos seus discípulos nele”.

A tal ponto a fé era pressuposto essencial e condição indispensável para os milagres, que onde Jesus não encontrava fé, como sucedeu com os seus conterrâneos de Nazaré, “não podia” fazer nenhum milagre. Uma e outra vez Cristo repete às pessoas agraciadas por Ele com um favor prodigioso: A tua fé te curou, a tua fé te salvou. O apóstolo Pedro foi capaz de caminhar sobre as ondas encrespadas do mar Galiléia enquanto durou a fé; quando duvidou, começou a afundar. Em certa ocasião quando os discípulos tentaram curar um endemoniado epilético sem o conseguirem, Jesus atribui-o à sua falta de fé, que se esta fosse do tamanho de um grão de mostarda teria bastado.

A fé que Cristo requeria como premissa para os Seus milagres era uma fé, pelo menos inicialmente, na Sua pessoa como Messias enviado por Deus; definitivamente, fé no poder salvador de Deus. Pois os milagres estavam em relação direta com a salvação proclamada pela Boa Nova do Reino de Deus, presente na pessoa e no anúncio de Jesus. Daí a necessidade da fé n’Ele.

Cada milagre de Cristo proclama que Ele é fonte de vida, esperança e libertação para o homem; porque o significado mais profundo dos milagres do Senhor radica no mistério pascal, na vitória sobre a morte por meio da Sua ressurreição, que é o maior dos Seus milagres.

Próximo da morte, João Batista interrogou Jesus sobre a Sua identidade messiânica. Cristo respondeu remetendo-se à Sua pregação e milagres: “Os cegos veem e os inválidos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado a Boa Nova”. Notemos que o anúncio do Evangelho vai unido e equiparado às curas. Jesus tornava assim efetivo o programa messiânico de libertação integral do homem, o qual foi traçado na sinagoga de Nazaré, e uniu assim indissoluvelmente evangelização e libertação humana, como sinais ambos da presença e eficácia salvadora do Reino de Deus na pessoa d’Ele.

Tal exemplo libertador assinala-nos um caminho de compromisso cristão com a libertação da dor dos nossos semelhantes em qualquer das suas manifestações: doença e fome, miséria e ignorância, opressão e escravidão. Por que outro meio, senão este, pode o mundo de hoje captar a presença de Cristo e a ação libertadora do Seu Evangelho entre os homens, nossos irmãos?

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

“Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”.

Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 3Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”.
Evangelho (Mateus 8,1-4)

"Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles."

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 6“Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem com o pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem. 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas. 13Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! 14Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram”!
Evangelho (Mateus 7,6.12-14)


Homilia:


O caminho da cruz conduz à porta apertada, a qual dá passagem para a vida no Reino de Deus. O próprio Jesus é essa porta para a vida: “Eu sou a porta; quem entrar por mim será salvo”.

Perante a permissividade sócio-moral de hoje em dia, a “porta estreita” de Nosso Senhor Jesus Cristo não é moralismo intransigente, mas responsabilidade e lucidez dos que se esforçam para ser fiéis a Deus e aos princípios evangélicos: solidariedade, fraternidade e serviço ao irmão, em vez de egoísmo, agressividade e violência; controle do consumismo em vez de idolatria do dinheiro e dos bens materiais; assimilação, enfim, do programa de santidade que Cristo expõe no discurso da montanha, cuja cobertura são as bem-aventuranças e cujo fundamento e motivação são a santidade de Deus a quem servimos: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”.

A chamada de Deus à santidade é para todos; vocação comum, embora diferenciada; universal, mas pluralista. Tender para a santidade cristã não é algo facultativo e opcional, reservado somente a alguns que consagram a vida a Deus e constituíriam uma classe aristocrática ou elite de cristãos “de primeira categoria” frente à grande massa de plebeus. Não. Todo o discípulo de Cristo, e cada um segundo o seu estado, situação e carisma próprio, é chamado à santidade em qualquer situação social e trabalho: no matrimônio e na família, na vida consagrada, no trabalho de casa e do escritório, no hospital e no ensino, na oficina e no campo, por trás de um balcão, entre outros.

E que fazer para sermos cristãos santos? Nada de espetacular: amar, servir, glorificar a Deus em todas as circunstâncias da vidae e amar os nossos irmãos como a nós mesmos. Nisso se resume toda a lei de Cristo, da qual Ele foi o exemplo mais perfeito, o caminho e a porta para a vida do Reino de Deus.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova.

“Não jul­gueis, e não sereis julgados."

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Não jul­gueis, e não sereis julgados. 2Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que me­dirdes. 3Por que observas o cisco no olho do teu irmão, e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho? 4Ou, como podes dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o cisco do teu olho’, quando tu mesmo tens uma trave no teu? 5Hipócrita, tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão”.
Evangelho (Mateus 7,1-5)

"Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro."

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24“Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros?27Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: Que vamos comer? Que vamos beber? Como vamos nos vestir? 32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas”.
Evangelho (Mateus 6,24-34)


Homilia:


Diante da bem-aventurança da pobreza, a sociedade consumista proclama a sua própria bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm e podem gastar, porque são felizes. É a mensagem incluída em toda a publicidade, verdadeiro “cavaleiro do apocalipse”, que tudo arrasa semeando escravidão e insatisfação. Na base de se criarem necessidades fictícias, o homem atual está acorrentado a uma corrida sem fim, condenado a não descansar em nenhuma meta. Como não se fica nas necessidades reais, todo o salário lhe é insuficiente, todo trabalho é pouco, qualquer nova aquisição é incapaz de lhe dar a felicidade sonhada. Confunde o ter com o ser; confunde o acumular de bens com o ser pessoa e ser feliz; o ter meios de vida com o ter razoes para viver.

Quando a nossa atitude pessoal diante do dinheiro e dos bens desvia estes de serem “meios” de subsistência digna e humana: alimentação, vestuário, casa, família, estudo, educação, cultura, para os converter em “fim” obsessivo da nossa vida, começamos a soldar os elos da cadeia que nos amarra à tirania de um novo ídolo: o consumismo.

Não é verdade que conhecemos pouca gente feliz? Parece mentira que o homem atual, sabendo tanto e tendo tantas coisas, não tenha aprendido a ser feliz.

Mais do que coisas, necessitamos de razões para viver e partilhar, pois a felicidade não pode estar fora de nós, nas coisas, mas há de brotar de dentro. A felicidade é um estado de alma e uma possessão do espírito, os quais se baseiam na realização do indivíduo como pessoa.

Há gente muito feliz com muito poucas coisas. São os que assimilaram a bem-aventurança da pobreza afetiva e efetiva e sabem ser solidários com os outros no partilhar. São os que se dão conta de que a sociedade do bem-estar, da abundância e do desenvolvimento econômico ilimitado dá, efetivamente, meios de vida ao homem, coisas e mais coisas; mas não lhe dá razoes para viver, nem pode dar-lhe a sabedoria da vida que nos descobre os motivos para trabalhar e lutar, sofrer e gozar, esperar e amar, inclusivamente a fundo, o perdido.

Jesus proclamou bem-aventurados e felizes os pobres de bens e despojados de si mesmos, que são solidários e partilham com os irmãos o que têm, pouco ou muito, porque assim estão em condições de ser cumulados por Deus e enriquecidos com os dons do Seu Reino. Ao dizer-nos hoje: “Não amontoeis tesouros perecíveis”, convida-nos para viver em liberdade com o coração posto no tesouro secreto da verdadeira felicidade: amar a Deus sobre todas as coisas e os nossos irmãos como a nós mesmos.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos."

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus.11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós come­testes”.
Evangelho (Mateus 6,7-15)

Homilia:


Se queremos procurar a ideia vertebral do Pai-nosso para centrar nela a nossa atenção, convém ter em conta que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, é a ideia onipresente e determinante. Para que se cumpra o desejo ardente com que devemos repetir uma e outra vez o “venha a nós o vosso Reino”, ou seja, para que se manifeste plenamente o Reino de Deus entre os homens seguem-se as demais petições: que santifiquemos o nome e a pessoa de Deus, que cumpramos a Sua vontade fielmente, que agradeçamos e partilhemos com os outros o pão de cada dia, que perdoemos aos irmãos como Deus nos perdoa, e que resistamos à tentação e ao mal.

Todavia há dois aspectos intimamente unidos e interdependentes, que temos de sublinhar no Pai-nosso. Em primeiro lugar, a afirmação vigorosa da paternidade universal de Deus em relação a todos os homens, uma paternidade sempre em ação porque o amor paternal do Senhor atua a cada instante criando-nos e modelando-nos à imagem d’Ele. E em segundo lugar, a consequência lógica disso mesmo: a fraternidade comum entre os filhos de Deus, que somos todos. O cristão é irmão dos outros, e estes são irmãos para ele; o que significa algo muito mais sério e comprometedor que companheiro ou camarada.

A imagem de Deus como Pai está muito acima do vaivém dos tempos, muito para além das ideologias e explicações psicológicas. Por isso toda a tradição eclesial rendeu fidelidade e homenagem ao “Pai-nosso.” Os Santos Padres dedicaram-lhe muitos dos seus saborosos comentários, e na catequese quaresmal da alta Idade Média adquiriu grande relevo, especialmente com a “entrega do Pai-nosso” aos catecúmenos que iam ser batizados na Vigília Pascal.

Nunca deveria desaparecer dos nossos lábios a oração do Pai-nosso, sobretudo, nos momentos-auge da vida familiar, comunitária e pessoal, como faz a liturgia da Igreja. É a oração mais excelente que se possa imaginar, ao mesmo tempo que a mais fácil e simples, a mais profunda e ecumênica, a mais viva e atual. Pois tem por Autor o próprio Cristo. Foi a única “fórmula” de oração que Jesus nos ensinou; mas é muito mais que uma fórmula para recitar. É todo um modo de vida para os filhos de Deus, é um convite à entrega total à vontade do Pai, a fim de que o Seu reinado se manifeste plenamente em nós.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa.3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que, a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará recompensa.5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade, vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.16Quando jejuardes, não fi­queis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade, vos digo: Eles já receberam a sua recompensa.17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.
Evangelho (Mateus 6,1-6.16-18)


Homilia:

Cristo manifesta-se como um “revolucionário” inconformado com os costumes do Seu tempo e propõe uma nova religiosidade que dê primazia à intenção sobre a própria obra externa. Na vida cristã o primado é da fé que atua pela caridade; tal é a condição indispensável para ser testemunha do Evangelho de Jesus e do Reino de Deus. Um coração convertido ao Senhor é a fonte de onde brota o significado e o valor da conduta. Só assim esta será uma expressão válida da autêntica religião que presta culto a Deus em Espírito e em verdade.

A seiva do tronco não se recebe do exterior, mas é o que dá vida à planta e crescimento à árvore. A semente do Reino atua silenciosamente e, com frequência, a partir de começos insignificantes, mas a sua eficácia se evidencia na sua expansão, capaz de transformar as estruturas e o coração dos humanos. O fermento, perdendo-se na massa de farinha, consegue fermentá-la por completo.

Assim também aquele que procura a Deus com honradez não precisa de aparências reluzentes, mas de atenção interior. São João da Cruz fazia este resumo da perfeição cristã: “Esquecimento do criado, memória do Criador; atenção ao interior e estar-se amando o Amado”.

Ninguém procurou com mais paixão o cumprimento da vontade de Deus que o próprio Jesus, a ponto de aceitar de bom grado a morte da cruz para a redenção do homem. Quando Cristo nos ensinou a rezar a Deus no Pai-nosso: “Faça-se a tua vontade”, convidou-nos a seguir o Seu exemplo. Porque “todo o que cumpre a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão e minha irmã.

Adoradores em espírito e em verdade, isto é, cumpridores incondicionais da Sua vontade, servidores alegres do Seu plano de salvação, é o que Deus quer. Pois o Altíssimo não se conforma com palavras e aparências, antes olha para o interior, para o coração do homem e da mulher. Que o olhar paternal do Senhor nos livre da hipocrisia.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? "

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvis­tes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: ‘Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!’ 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos.46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
Evangelho (Mateus 5,43-48)


Homilía:


A radicalidade da mensagem evangélica de hoje apresenta sérias interrogações que inquietam qualquer cristão responsável: amar o inimigo é um programa realizável ou uma simples utopia para sonhadores? Visto à luz da sabedoria do mundo, esta norma de Jesus pode parecer um programa para anjos ou para tontos. E nós dizemos ser nenhuma das coisas.

Está bem, pensamos que Cristo nos mande excluir todo o sentimento de ódio, rancor, fanatismo e intolerância, tanto entre indivíduos como entre grupos raciais, linguísticos, ideológicos e políticos; mas praticar o desarmamento unilateral e amar o inimigo!

Tal como soam as palavras de Jesus, estabeleceriam como norma de conduta o amor afetivo ao inimigo? Por lei não se pode impor a simpatia, o amor afetivo e o carinho emocional ao inimigo que nos ofende. Isso iria contra a nossa estrutura psíquica; tornar-se-ia desumano. Cristo também não o exige por decreto. Mesmo as pessoas muito cristãs e de bom coração costumam dizer: “Eu perdoo-lhe mas é-me impossível esquecer, e mais impossível ainda gostar de você”. Com isso não estão guardando no seu coração sentimentos de ódio, rancor ou agressividade, e menos ainda, o prazer esquisito da vingança.

Perdoar, sim; mas chegar a gostar, a ter intimidade com a pessoa não é fácil… Faz falta madeira de santo ou têmpera de herói. E pode impor-se como norma o heroísmo? Não levemos os termos ao extremo. Jesus não nos ordena o que não podemos fazer. Mas sim, propõe-nos o Seu exemplo. Ele morreu perdoando os Seus inimigos, e muitos outros cristãos através da história seguiram os passos de Cristo. O que Jesus nos ordena é o amor efetivo: fazer o bem ao inimigo, rezar por ele, respeitá-lo sempre como pessoa e como irmão, filho também de Deus, que faz nascer o sol sobre bons e maus.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Quem os praticar e ensinar (os mandamentos) será considerado grande no Reino dos Céus"

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.
Evangelho (Mateus 5,17-19)

"Vós sois a luz do mundo."

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.
Evangelho (Mateus 5,13-16)


Homilia:


O sal é elemento familiar em qualquer cultura, pois desde sempre foi utilizado para dar sabor à comida. Inclusivamente, antes de existirem os refrigeradores, era o único meio de preservar da corrupção os alimentos, especialmente a carne. Mas além disso, na cultura bíblica e semita, o sal significava também a sabedoria da vida, que consiste em conhecer e cumprir a vontade de Deus, expressa na Lei Divina. Segundo isso, o cristão, sal da terra, possui a sabedoria de Cristo e o conhecimento do Reino de Deus pela fé na palavra do Evangelho.

Por tudo isso o sal aparece como um feliz simbolismo, de grande riqueza expressiva, para centrar a missão do discípulo de Cristo no meio da sociedade em que vive. O sal é um protagonista muito especial no âmbito culinário, pois dissolve-se por completo nos alimentos e desaparece num sabor agradável. A presença discreta dele quase não se detecta; porém, a sua ausência não se pode dissimular. Essa é a sua condição: passar despercebido, mas atuando eficazmente. Bela maneira de definir a obrigação do cristão: ser sal da terra, sal humilde, fundido, saboroso, que atua de dentro, que não se nota, mas que é indispensável.

Feliz responsabilidade a nossa: descobrir o rosto autêntico e a face oculta de Deus, ser o sal e o sabor da vida, ser graça festiva, ser esperança e otimismo para o tédio e o aborrecimento da existência. Sublime tarefa a do crente: espalhar sem ostentação a riqueza de uma vida cristã interior fecunda ao serviço dos outros.

Não podemos perder o sabor e a luminosidade cristã diluindo-os em palavreado,ou em meras práticas piedosas. Se as pessoas virem a nossa fé religiosa e a nossa conduta orientadas para a fraternidade e o amor, reconhecer-nos-ão como portadores da luz de Cristo e glorificarão o Pai. Como o sal e a luz, a nossa fé e condição cristãs não admitem “meios termos”: ou transformam e iluminam a vida ou não servem para nada!

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus."

Naquele tempo: 1Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim.
12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Evangelho (Mateus 5,1-12)

Homilia:


Jesus conhecia o coração humano, sedento de felicidade. Todo homem e mulher quer ser feliz; em consequência, procuram a melhor maneira de conseguir essa graça segundo o que cada um entende por felicidade: riqueza e dinheiro, êxito e posição social, segurança e amor, poder e domínio, sexo e prazer… Cristo, no entanto, nos propõe um caminho seguro de felicidade, embora novo e paradoxal.

A página das bem-aventuranças é a mais revolucionária do Evangelho, porque nela o Senhor estabelece uma inversão total dos critérios mundanos a respeito da felicidade. Ele declara felizes, porque desde agora possuem o Reino de Deus, todos quantos o mundo tem por infelizes: os pobres e famintos, os que choram e sofrem, os misericordiosos que sabem perdoar, os retos e limpos de coração, os que fomentam a paz e excluem a violência, os perseguidos pela sua fidelidade a Deus.

Devido à novidade radical e paradoxal das bem-aventuranças estabelecidas por Jesus, há os que a qualificam de utopia irrealizável e sem a lógica mais elementar; já outros a consideram um mero ideal espiritualista, sublime; mas inalcançável. Contudo, Cristo pronunciou-se consciente do seu significado e alcance; e as propôs naquele tempo e as propõe hoje a todo homem e mulher que queiram seguir o Seu caminho, porque são as atitudes básicas para serem discípulos d’Ele, para assimilar o espírito do Reino e para conseguir a felicidade em plenitude pelo caminho da libertação.

Antes de Cristo ninguém se atrevera a fazer tais afirmações. Tão paradoxais são as bem-aventuranças que só entende quem as vive e pratica, como fez o próprio Jesus. A vida do Ressuscitado constitui-se na melhor chave de interpretação das bem-aventuranças. Ele foi pobre e sofredor, teve fome e sede de justiça, criou paz e reconciliação, foi perseguido e morreu pela salvação do homem. Encarnadas na Pessoa de Cristo, as bem-aventuranças convertem-se para os Seus discípulos em programa realizável e operativo.

As bem-aventuranças de Jesus Cristo não são espiritualismo desencarnado nem passividade alienante, muito menos resignação fatalista. O Senhor não as pronunciou para justificar e perpetuar uma classe social de homens e mulheres diminuídos, contentes com uma esperança futura. A sua felicidade é presente, mas tem inerente um compromisso pessoal e efetivo com a pobreza e o sofrimento humano, em qualquer das sua manifestações, mediante o desprendimento e a paciência, a opção pela sinceridade e a justiça, a construção da paz, a rejeição da violência, a fraternidade, o amor e a solidariedade entre os homens.

Que o Senhor nos conceda fé, amor e coragem suficientes para entender as bem-aventuranças, assimilá-las e vivê-las com Ele.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Mulher, por que choras?”

Naquele tempo, 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: ”Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.
(Mateus 28,8-15)

Alegrai-vos!

Naquele tempo, 8as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés.
10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”.
15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.

(Mateus 28,8-15)

(Salmos 15)

Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!

Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”.
19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?”
23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.
(Mateus 26,14-25)

que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.
(Mateus 6,1-6.16-18)

porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel


Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém.
Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: ‘E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo’”.
Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.
Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.
Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
(Mateus 2,1-12)

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