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"Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
Evangelho (João 20,24-29)


Homilia:


Hoje, com toda a Igreja, estamos celebrando a festa do Apóstolo São Tomé. Tomé é conhecido como o apóstolo da incredulidade, que no encontro com o Ressuscitado proclama a fé pascal da Igreja: “Meu Senhor, e meu Deus”. Quando diz para Jesus que não sabe para onde Ele vai, o Senhor lhe responde: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

No dia da ressurreição, Cristo aparece aos apóstolos. Tomé não se encontra com eles e, por isso, não vê o Senhor. Os outros partilham a novidade da ressurreição do Senhor a ele, mas este não acredita; além de não acreditar, diz que passará a acreditar somente depois que puser a mão nas feridas do Ressuscitado (chagas).

Uma semana depois, estando eles reunidos, e Tomé – agora – estando junto na comunidade dos discípulos, Jesus ressuscitado se coloca no meio deles e deseja-lhes a paz. Tomé fica estupefato: um misto de alegria, medo, dúvida… a fé começa a se acender. Cristo convida Tomé a colocar a mão nas feridas e ali acontece uma das profissões de fé mais lindas narradas da Sagrada Escritura; Tomé professa com o coração, com a alma: “Meu Senhor, e meu Deus”.

Antes de discutirmos a respeito da falta de fé de Tomé, precisamos ir à raiz da problemática relacionada a ele; o problema desse apóstolo não foi a fé, mas a postura. Por causa da falta de postura, a falta de fé foi consequência. Explico. No dia do nosso batismo, quando deixamos de ser simplesmente criaturas e passamos a nos tornar filhos de Deus, o Espírito Santo colocou no interior do nosso coração uma sementinha chamada fé. Esta semente, dom, nada mais é que uma virtude teologal, ou seja, independe de nós para que ela esteja ali. É pura graça divina. Esta fé vai crescendo e se desenvolvendo à medida que nós vivermos com a maior intensidade possível o nosso batismo. Para que possamos viver com mais intensidade possível o nosso batismo, – e esta fé se tornar maior cada vez maior –, é fundamental que estejamos inseridos no interior da comunidade, sob o direcionamento dos apóstolos e, consequentemente, do magistério da Igreja. É no interior da Igreja que conseguimos fazer uma experiência com o Ressuscitado; fora da Igreja não é possível fazer uma experiência com Cristo; fora da Igreja não há salvação.

Por isso a pergunta é esta: onde estava Tomé no dia da ressurreição? Porque não estava com a comunidade Igreja, principalmente sob a companhia de Pedro, não pôde fazer a experiência do Ressuscitado. Agora, uma semana depois, porque estava na comunidade, daí sim, pôde tocar no Cristo vivo e ressuscitado.

Somos convidados a fazer uma pergunta, bem antes de analisarmos nossa falta de fé e nossas dificuldades de vida: onde nos encontramos? Estamos dentro da comunidade chamada Igreja, sob as diretrizes do Papa, sucessor de Pedro? Estamos na Igreja e com a Igreja, independente das dificuldades de seus membros, membros estes dos quais você faz parte? Ou estamos fora, detonando com esta Igreja da qual fazemos parte pelo batismo?

Se estamos dentro, vivendo o batismo com coerência, na luta, independente das dificuldades e incoerências aí existentes, então sim, conseguiremos fazer uma experiência com o Ressuscitado. Mas por sua vez, se ainda estamos fora, vivendo de forma independente, não comunitária, uma coisa é certa: não conseguiremos fazer esta experiência viva com o Ressuscitado, o Único que pode transformar nossa vida e trazer a felicidade.

Pergunta que não quer calar: Onde estava Tomé? Onde você está, meu irmão, minha irmã. Não questione sobre sua fé, pois ela está aí, no mais íntimo do seu coração. Perguntemo-nos sobre nossa estada, ou seja, onde estamos. Dentro ou fora da Igreja?

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Tudo o que o Pai possui é meu."

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora.13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará.14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.
Evangelho (João 16,12-15)

Homilia:

Para muitas pessoas, a pregação da Igreja a respeito da Trindade é obscurantismo. Para ofender a inteligência dizendo que Deus é ao mesmo tempo um em três?

Deus é um só, sempre o mesmo e fiel, mas Ele abre o seu interior em Jesus de Nazaré, um ser pessoal, livre e autônomo. Deus se dá a conhecer no modo como Jesus, livremente e por decisão própria, nos amou e nos ensinou, sendo para nós palavra de Deus, muito mais do que a sabedoria tão elogiada no Antigo Testamento (1ª leitura). E depois que Jesus cumpriu sua missão, perpetua-se para nós a “palavra”que ele tem sido, numa outra realidade pessoal, o Espírito de Deus, a inspiração que, vinda de Deus e de Jesus, invade o nosso coração, a ponto de nos tornar semelhantes a Jesus (2ª leitura). Tanto em Jesus como no Espírito Santo, quem age é Deus mesmo, embora sejam personagens distintas.

Riqueza inesgotável que a Igreja nos aponta para que saibamos onde Deus abre seu íntimo para nós: No seu Filho Jesus e no Espírito de Jesus que nos anima. Lá encontramos Deus, e o encontramos não como bloco de granito, fechado, mas como pessoas que se relacionam, tendo cada uma sua própria atuação: o Pai que nos ama e nos chama à vida; o Filho Jesus, que fala do Pai para nós e mostra como é o Pai, sendo bom e fiel até o dom da própria vida na morte da cruz; e o Espírito Santo, que doutro jeito ainda, fica sempre conosco. O Espírito atualiza em nós a memória da vida e das palavras de Jesus e anima a sua Igreja. E estão unidas todas as três Pessoas e formam uma unidade naquilo que Deus essencialmente é: amor.

Essas reflexões não visam “compreender”a Trindade como compreende que 1+1=2! Visam a abrir o mistério de Deus, que é maior que nossa cabeça. Santo Agostinho ao ver uma criança na praia colocar água do mar num poço de areia, caçoou ela, dizendo que o mar nunca ia caber aí. E a criança respondeu: “Assim também não vai caber na tua cabeça o mistério da Santíssima Trindade”. Pois bem, se não conseguimos colocar o mistério do amor de Deus em nossa cabeça, coloquemos nossa cabeça e nossa vida toda dentro desse mistério.

Padre Pacheco,
Comunidade Canção Nova.

“A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”


Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Evangelho (João 20,19-23)




Homilia:


Pentecostes é o aniversário da Igreja? Sob certo aspecto, sim. A primeira comunidade tinha sido reunida por Jesus durante a Sua vida. Mas o que foi tão decisivo na data de Pentecostes, depois da Morte e Ressurreição de Cristo, é que aí começou a proclamação ao mundo inteiro da salvação em Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Para os antigos judeus, essa festa era o aniversário da proclamação da lei no monte Sinai: esta proclamação constituiu, por assim dizer, Israel como povo, deu-lhe uma “constituição”. De modo semelhante, quando os apóstolos proclamam, no dia de Pentecostes, a salvação em Jesus Cristo, é constituído o novo povo de Deus. Não só Israel, mas todos os povos são agora alcançados, cada um em sua própria língua.

Até hoje, a Igreja continua procurando alcançar todos os povos, grupos, classes e raças, numa linguagem que os atinja. Não necessariamente na linguagem que lhes agrade! Aos pobres terá que falar uma linguagem de carinho e animação; aos ricos uma linguagem provocadora, para descongelar seu coração. Mas, de qualquer modo, a todos ela deverá explicar – na linguagem adequada – que na conversão a Cristo se encontra a salvação.

O verdadeiro milagre das línguas não consiste em dizer “Aleluia” em todas as línguas, mas em falar com clareza para todos os povos, raças e classes. Os diversos dons do Espírito Santo servem exatamente para isto: para atingir as pessoas de todas as maneiras a fim de que sejam profetas da Nova Aliança, selada por Cristo em Seu próprio Sangue e agora publicada para o mundo sob o impulso do Seu Espírito. Como Moisés e os setenta anciãos no Sinai se tornaram porta-vozes de Deus e da Antiga Aliança, assim agora, a partir de Pentecostes, a Igreja deve tornar-se totalmente profética, denunciando o que está errado e anunciando a salvação que está na fraternidade e na comunhão que Jesus veio instaurar. Assim, o Espírito de Deus renovará, pela Igreja, a face da terra.

A final de contas, ainda esta pergunta inquieta o nosso coração: que linguagem é esta do Espírito, capaz de fazer com que todos compreendam? A linguagem do Espírito, que vem a fazer com que todos compreendam, é a linguagem do amor; aquela linguagem por meio da qual os gestos concretos falam por si só e possuem poder de ressurreição na vida dos outros. A grande linguagem que o Espírito quer nos ensinar a falar é a linguagem do amor; só ela tem poder de transformar tudo aqui que está dividido, fragmentado, caótico em cada um de nós. O Espírito, com esta nova forma de falar e anunciar o Pai pelo Filho, transformará tudo em nós, trazendo a nova ordem, a unidade pelo amor. No entanto, só falarão nesta nova linguagem aqueles/aquelas que se decidirem pelo amor, frente a uma profunda abertura de suas vidas ao Paráclito.

Portanto, só o que está uno, inteiro, organizado, curado, liberto, restaurado, pela ação do Espírito, é que terá condições de anunciar Jesus vivo e ressuscitado mediante esta nova linguagem que penetra todos os ouvidos e corações.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

“Apascenta as minhas ovelhas”

Jesus manifestou-se aos seus discípulos 15e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”.16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. 19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.
Evangelho (João 21,15-19)


Homilia:

O Evangelho de hoje contém duas partes. Na primeira, Jesus confere ao apóstolo Pedro uma investidura pastoral preeminente, e na segunda, preanuncia-lhe o seu destino de mártir. Está subjacente neste Evangelho a tradição neotestamentária de uma aparição do Senhor ressuscitado a Simão Pedro, e vemos também a afinidade com a passagem do primado segundo Mateus.

Na tripla pergunta de Cristo: “Simão, amas-me?”, e na correspondente resposta do apóstolo com a sua tripla e humilde: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”, há por parte do Senhor uma reabilitação de Pedro na sua condição de discípulo depois da sua tripla negação na noite da Paixão. É a sua oportunidade e o seu desquite. A cada resposta do apóstolo, Jesus acrescenta: “apascenta as minhas ovelhas”. É a sua tripla investidura pastoral, que consuma a reabilitação com tal posto de confiança. Encontramos, pois, aqui um testemunho escrito em finais do século I em que aparece o apreço comunitário sobre a missão e autoridade pastoral de Pedro na Igreja.

O ministério de Pedro – e do seu sucessor o Papa, Bispo de Roma – é o primado do servo e da caridade na Igreja de Cristo. Carisma que não se lhe concede para prestígio próprio nem se baseia na sua capacidade pessoal e extraordinária, pois é patente a sua debilidade humana. Tudo é graça, dom e presença invisível de Jesus pela força do Seu Espírito.

Jesus examina Pedro pelo amor e há de reconhecer que conseguiu uma distinção que, noutra ocasião, merecerá uma reprovação. E examina-o sobre o amor porque a sua tarefa como guia das ovelhas do Bom Pastor, que é Cristo, terá de exercer-se à base do amor ao rebanho, segundo aquelas palavras de Santo Ambrósio: “Cristo deixou-nos Pedro como vigário do Seu amor”.

Já na Última Ceia Nosso Senhor Jesus Cristo dissera ao apóstolo: “Simão, Simão! Olha que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo. Mas eu pedi por ti para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te recuperares, confirma os teus irmãos”. Pedro é, efetivamente, o primeiro entre os seus irmãos. Mas a autoridade dentro da comunidade cristã é serviço, a exemplo de Cristo: “O primeiro entre vós deve ser o servidor de todos, e o que manda como o que serve”.

A morte de Pedro que Jesus lhe vaticina em enigma: “quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te conduzirá aonde não queres”, será a prova definitiva da sinceridade da sua tripla profissão de amor a Jesus e da sua fidelidade à missão recebida.

Mas já antes Pedro teve ocasião de testemunhar o seu amor e a sua fé em Cristo e de salvaguardar a comunhão eclesial a serviço da missão. Por exemplo, chegado o momento da prova, perante o conselho dos judeus e desafiando a sua ordem, ele proclama a Morte e Ressurreição de Jesus, porque “é preciso obedecer antes a Deus que aos homens”. Igualmente, no Concílio de Jerusalém soube manter a abertura missionária da Igreja aos pagãos e conservar a união dentro da comunidade.

Também hoje é dia de pedir ao Pai que haja depressa um só rebanho sob um só pastor para que o mundo inteiro creia que Jesus Cristo é o enviado pelo Pai.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória"

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e rezou, dizendo: 20“Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra; 21para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.22Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: 23eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como me amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes também conheceram que tu me enviaste.26Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles”.
(João 17,20-26)


Homilia:


A união dos cristãos é um tema de perene atualidade. Necessitamos do dinamismo da conversão contínua e progressiva para a unidade, tanto no interior da Igreja, como em âmbito ecumênico ou intereclesial. União primeiramente entre os membros da própria Igreja, e união depois com os cristãos das diversas confissões.

É normal que haja diversos pontos de vista no que é acidental e diversidade de opiniões para problemas que surgem em situações sócio-culturais distintas. Mas não é cristão que por isso levantemos muros de divisão, causando escândalo aos que nos veem de fora. Ponhamo-nos de acordo no essencial em âmbito interno mediante o amor e o diálogo e respeitemos as legítimas diferenças. Assim não perderemos eficácia missionária e evangelizadora.

Critérios que são válidos também para as relações com os irmãos separados. É evidente o contratestemunho que hoje, como durante séculos, nós os seguidores de Jesus oferecemos ao mundo, divididos em diversas confissões cristãs. Jesus rezou ao Pai: “Que todos sejam um para que o mundo acredite que tu me enviaste”. Graças a Deus está em marcha o movimento ecumênico que trata de reunificar o Corpo de Cristo, desmembrado através da história por culpa e intransigência de uns e de outros.

Felizmente, é muito mais o que nos une do que o que nos separa. Pontos básicos e comuns são estes: 1º - Fé em Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e Pai Nosso, a quem rezamos a oração comum dos filhos de Deus; o Pai-Nosso que Jesus nos ensinou. 2º - Fé em Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador nosso, por quem temos a vida de Deus num mesmo batismo. 3º - Fé no mesmo Espírito vivificante. 4º - O mesmo Evangelho, basicamente o mesmo credo e, fundamentalmente, a mesma Palavra de Deus na Bíblia.

Tudo nos diz que somos “irmãos separados” que devem unir-se, segundo o desejo de Cristo, para que o mundo acredite n’Ele e para que haja um só rebanho, uma só Igreja, sob um mesmo Pastor. São Paulo expressava assim o ideal e fundamento da unidade cristã: “Um só corpo e um só Espírito, como uma só é a meta de esperança da vocação a que fostes chamados: um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos” (Ef 4,4s).

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um."

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos para o céu e rezou, dizendo: 11b“Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um. 12Quando eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que me deste. Eu os guardei e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. 13Agora, eu vou para junto de ti, e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si a minha alegria plenamente realizada. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os rejeitou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo.17Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. 19Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade”.
(João 17,1-11a)


Homilia:


O nosso testemunho da verdade, que é Cristo, centra-se no amor, segundo o desejo de Jesus: “Que sejam um como nós, para que o mundo acredite”. Por sua vez esse amor brota do amor que Deus nos tem e pelo qual nos oferece a nova vida pascal em Jesus e pelo Seu Espírito. “Se Deus nos amou desta maneira, também nós devemos amar-nos uns aos outros”. Disso somente é capaz quem vive como consagrado e santificado pela verdade, isto é, em união com Cristo.

Para testemunhar essa nova vida de consagrado, o cristão deve experimentá-la antes e vivê-la pessoalmente pela fé, pois esta nova vida está com Cristo, escondida em Deus. Por isso o crente não tem distintivo exterior algum que o identifique. O júbilo pascal da nossa adoção filial por Deus pertence ao mundo da fé; e a fé é, antes de tudo, experiência vivencial, dom e graça do Senhor, e não mero conhecimento conceitual deste.

A vida nova com Cristo, fruto da nossa consagração pelo Pai, é oferecida a todo o que acredita que Jesus é o Filho de Deus, como repete insistentemente o quarto Evangelho. Com a força dessa fé e vida nova seremos capazes de transformar tudo, dentro de nós e à nossa volta: trabalho, estudo, vida familiar, problemas pessoais, compromisso social, solidão, doença e morte.

Temos de provar, de gostar e de ensaiar com entusiasmo a nossa vida pascal, convertendo o coração aos bens do Alto, ainda que sem nos desinteressarmos das pessoas e do mundo. Consideremo-nos mortos para o pecado e suas obras e ressuscitados com Cristo para Deus. Dois tempos ou movimentos de uma mesma melodia, com aparência negativa o primeiro e com nome positivo o segundo, mas inseparáveis e, no fundo, iguais.

Para vencer o ódio do mundo, no meio do qual temos que viver, não há meio melhor e mais convincente que o testemunho da verdade pelo amor.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"...porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste."

Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste.3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.6Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste.9Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.
(João 17,1-11a)


Homilia:

O Evangelho nos traz a oração de Jesus ao Pai diante de Seus amigos e em voz alta e é um convite para os discípulos e, hoje, para cada um de nós, para que sejamos, cada vez mais, homens e mulheres de oração, de intimidade com o Pai, por meio do Filho, na ação do Espírito.

Mas diz-se que hoje em dia há crise de oração entre os cristãos; que se reza pouco e quando se reza, reza-se mal. Contudo, felizmente, não faltam casas, grupos e vigílias de oração.

A jovem Igreja começou o caminho histórico da missão treinando-se na oração comunitária, e não por uma atividade febril sem contato com Cristo e o Seu Espírito. Porque na oração, que cria comunhão com Deus, está a força da comunidade e do cristão para testemunhar aos homens a presença de Cristo, o Senhor glorioso e Salvador da humanidade.

Necessitamos orar sempre, e com mais intensidade ainda nos momentos de crise pessoal ou comunitária, para nos reafirmarmos na nossa identidade cristã. Porque então só nos pode reabitar um encontro pessoal com o Deus, que é vida e amor, dons dados a quem com Ele se comunica.

A oração é falar com Deus como pessoas livres; mais ainda, como filhos Seus que somos. Saber rezar não é difícil; basta falar com o Senhor. Muitas vezes, sequer é necessário falar, pois escutar é o suficiente. A nossa oração pode ser individual ou comunitária, mental ou vocal, espontânea ou já construída (salmos, preces, cânticos, bênçãos, etc.), e a oração por excelência: o Pai-Nosso.

Necessitamos orar, quer seja nas ocupações de cada dia, quer seja retirando-nos a sós com Deus. Mas num e noutro caso, escutando a Jesus, que é escutar o Pai, e orando com Ele para captar o mistério do inexprimível e testemunhá-Lo depois aos nossos irmãos, os homens. Porque a oração, a contemplação e a experiência de Deus, quando são autênticas, passam à ação de libertação em cada um de nós. Isso é levar a oração à vida e a vida à oração.

Convençamo-nos: a oração com Jesus nos é indispensável para uma vida cristã autêntica e fecunda. Hoje é ocasião de nos perguntarmos como e quanto rezamos individual e comunitariamente. Santa Teresa sempre dizia às suas filhas e Deus, por meio dela, a cada um de nós: quem reza muito, se salva; quem reza pouco, se condena.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!

Naquele tempo, 29os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31Jesus respondeu: “Credes agora? 32Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. 33Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”
(João 16,29-33)



Homilia:


Se queremos definir o Espírito com uma expressão atual e bíblica, vital e única, teremos que dizer : é o dom do Cristo ressuscitado à Igreja, que é o seu corpo; é o Espírito do próprio Jesus em nós; é o “nós”trinitário e a consciência eclesial; é o amor que Deus nos tem, difundido nos nossos corações; é a nossa nova dimensão pessoal e comunitária de discípulos de Jesus, cristãos, filhos de Deus e irmãos dos homens.

Nos nossos dias assistimos com alegria ao redescobrimento do Espírito na Igreja, que põe em relevo o protagonismo decisivo do Espírito na renovação interna do povo de Deus e na sua missão evangelizadora do mundo. Os carismas e a chama do Pentecostes não se apagaram e são perceptíveis nos constantes movimentos que de um ou outro modo vivificam a Igreja, tais como: comunidades neocatecumenais e carismáticas, cursilhos, movimento de casais, grupos de oração, ecumenismo e libertação; elem dos institutos de vida consagrada, tanto religiosos como seculares.

Estes institutos, ordens e congregações religiosas, tanto masculinas como femininas, assim como os institutos seculares e sociedades de vida apostólicas, exercem um carisma próprio para funções concretas na missão universal da Igreja. Tais como: contemplação e oração; evangelização do povo fiel e das nações não cristãs; ensino e educação de crianças, adolescentes e jovens; atenção aos doentes, idosos, pobres a marginalizados; trabalho nos meios de comunicação social ao serviço da fé e da missão; testemunho e consagração a Deus da vida e ocupação quotidiana no mundo.

A força e a ação do Espírito manifesta-se não só nestes carismas que têm já forma institucional na Igreja, mas também na vida de todo o crente, homem ou mulher, que reforça a sua vocação cristã com um coração animado.

Padre Pacheco,
Comunidade Canção Nova.

Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará!

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23b“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. 25Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”
(João 16,23b-28)



Homilia:

No evangelho de hoje expõe Jesus suas conseqüências que resultam da união com os seus. Em dias anteriores deste tempo pascal, meditando sobre o discurso de despedida de Cristo, vimos o círculo de amor que se estabelece entre o Pai, Jesus, o Espírito, os crentes e estes entre si. Hoje extraem-se duas aplicações de tal intimidade e comunhão de vida. A primeira, a respeito da oração; e a segunda, a respeito do conhecimento de Jesus do Pai. São “privilégios” de que desfrutará o discípulo de Cristo.

Jesus assegura o cumprimento das súplicas feitas ao Pai em seu nome. “Em verdade vos digo, o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. Até agora não pediste nada em meu nome; pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa”. Dado que o crente experimentará a presença de Jesus na imanência do Espírito nele, permanecerá unido a Cristo e, portanto, em comunhão também com o Pai, com o qual Jesus é uno.

Os discípulos não podiam alcançar essa união profunda com Cristo enquanto não recebessem o dom do Espírito, que é o fruto da glorificação de Jesus, isto é, da sua morte e ressurreição. Por isso, “até agora não pediram nada em seu nome”, em união com ele. Além disso, o que se pede a Deus em nome de Jesus, também se recebe do Pai em nome de Cristo. É óbvio, por outro lado, que não se trata de solucionar tanto as necessidades ordinárias da vida quanto as que dizem respeito à vida eterna: “para que a vossa alegria seja completa”.

Essa alegria cristã fundamenta-se, em última instância, no conhecimento pleno de Jesus como revelador do Pai: Falei-vos disto em figuras; chega a hora em que já não vos falarei em figuras, mas vos falarei do Pai claramente”. É o segundo privilégio do crente: conhecer em plenitude quanto Jesus revelou.

Isto consegue-se com o dom do Espírito que procede do Pai e de Jesus e que faz nascer para os crentes a sua condição de filhos de Deus, de modo que o conhecimento deste resulta quase conatural. Como dizia São Paulo: “Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas depois veremos cara a cara”; com a diferença de que, segundo São João, esse conhecimento final se antecipa para o momento presente, porque o futuro já começou.

Padre Pacheco,
Comunidade Canção Nova.

Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei!

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11E eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.16Não fostes vós que me es­colhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.
(João 15,9-17)

Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu.



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará.
14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.

(João 16,12-15)




Homilia:

No Evangelho de hoje temos duas das seis tarefas que Jesus atribui ao Espírito do seu discurso de despedida, como estamos vendo nestas últimas semanas da Páscoa. Primeira - Acompanhar os discípulos da ausência de Jesus. Segunda - Recordar-lhes as palavras de Jesus. Terceira - Dar testemunho d’Ele. Quarta - Fazer um julgamento constante sobre o pecado e a injustiça do mundo. Quinta - Conduzir os discípulos até a verdade plena. Sexta - Glorificar Jesus.

Embora necessitemos imperiosamente de fazê-lo, é difícil falar hoje do Espírito Santo a um mundo vazio de espírito, rico de matéria e submerso na incredulidade. Como foi difícil a São Paulo anunciar o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo aos atenienses “ao Deus desconhecido” e dos argumentos em que a filosofia grega dos estóicos coincidia com a revelação bíblica, para entrar o seu discurso no conhecimento de Deus em quem vivemos, nos movemos e existimos; mais ainda: de quem somos descendência. Tudo isso convida à conversão a Deus que constituiu juiz Jesus, ressuscitando-O de entre os mortos.

Ainda que o Espírito de Deus atue também fora da Igreja, é a comunidade de fé o espaço natural da Sua presença e ação, segundo se depreende do discurso de despedida de Cristo. Assim se conclui também da leitura continuada que vimos fazendo do livros dos Atos, que além de ser um ensaio histórico-teológico da Igreja nascente, é também a primeira melhor teologia do Espírito. Este comunica-se ao grupo cristão mediante os sacramentos, de maneira que, a partir do batismo, toda a nossa vida cristã está marcada pela ação d’Ele [Espírito Santo de Deus].

Necessitados de estar conscientes disso e pedir, com frequência, à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade a coragem que nos é indispensável para sermos cristãos hoje em dia, isto é, para confessarmos Cristo como Senhor das nossas vidas, para sermos membros ativos de uma Igreja missionária, para podermos rezar o Pai Nosso, para enchermos o nosso vazio, derretermos o nosso gelo e vencermos o pecado com a força do alto, para vivermos, enfim, a moral cristã com prazer de filhos de Deus e como lei do Espírito, que dá vida e liberdade em Cristo Jesus.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

"Vou, mas voltarei a vós"

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 23“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou.25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.
27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.
28Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.
29Disse-vos isso, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis”.
(João 14,23-29)

A “nova Jerusalém” é a “morada de Deus com os homens”, dizia-nos a utopia que escutamos domingo passado. Mas uma utopia também serve para mostrar o sentido da realidade presente. Hoje, a liturgia insiste na presença da utopia do Criador: a “inabilitação” de Deus nos homens não acontece apenas na utópica “nova Jerusalém”, mas em cada um que guarda a Palavra do Cristo, Seu mandamento de amor. Pois a Palavra do Cristo não é d’Ele, mas a do Pai que O enviou.

Os discípulos não entenderam isso. Por isso, grande parte dos primeiros anos do Cristianismo decorreu em “tensão escatológica”: aguardava-se a vinda de Cristo com o poder do Alto, a Parusia, como instauração do Reino de Deus. Só aos poucos, os cristãos começaram a entender que a nova criação já tinha se iniciado na própria comunhão do amor fraterno, testemunho do amor de Cristo a todos os homens. Esta compreensão, esta “memória esclarecida” de Cristo é uma das realizações, talvez a mais importante, do Espírito Santo.

Neste tempo intermediário, não devemos ficar com medo ou tristes porque Cristo não está conosco. Ele permanece conosco, neste Espírito, que nos faz experimentar a inabilitação em nós d’Ele e do Pai – portanto, muito mais do que significa sua presença na terra, pois o Pai vale mais que a presença física de Cristo.

Nossa comunidade cristã deve ser antecipação da Jerusalém celeste. Tendo Cristo por centro e luz, certamente haverá unidade e comunhão entre seus habitantes. A primeira leitura de hoje pode ilustrar isso. O conflito na comunidade era grave. O problema era análogo: a Igreja devia ser concebida como uma instituição acabada, à qual os outros se deveriam agregar? Neste caso, ela podia conservar suas instituições tradicionais ou seria a Igreja um povo a ser constituído ainda, aberto para a forma que o Espírito lhe quisesse dar? Para este fim, Paulo e Barnabé procuram a união dos irmãos em redor daquilo que o Espírito tinha obrado junto com eles. Conseguiram. Não se esforçaram em vão. O “Concilio dos Apóstolos”, como se costuma chamar este episódio, confirmou a prática de admitir pagãos sem passar pelas instituições judaicas. Apenas, em nome da mesma união fraterna , os cristãos do paganismo deviam abster-se de quatro coisas que eram realmente tabu para os judeus cristãos; não respeitar isso seria tornar a vida em comunidade impossível. A caridade fraterna acima de tudo!

Na caridade fraterna, Deus e o “Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, mas uma cristandade organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo também modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito de Deus que nos impele.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova

Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. 19Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia. 20Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu senhor’. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 21Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”.
(João 15,18-21)



Homilia:
Padre Fabio de Freitas
fonte: http://www.bibliacatolica.com.br/




A Palavra de Cristo, a qual o discípulo trata de encarnar na sua vida e conduta, provoca frequentemente a rejeição e a hostilidade do mundo. O verdadeiro crente sofrerá por manter a sua opção pelo Evangelho, pois os seus critérios e prioridades se chocarão com os do mundo, que se fecha a Deus por desconhecê-Lo. Por tudo isso o discípulo necessita de resistência para ser diferente, pois a sua postura torna-se incômoda e arriscada.

A cruz de Cristo será sempre loucura para a sabedoria humana e escândalo para o coração do homem atual. Mas o cristão tem a incumbência de testemunhar que o futuro e a felicidade do homem só se alcançam mediante o amor que se esquece de si mesmo e vai longe, ao sacrifício e à cruz.

A nova vida do batizado tem um estilo próprio e definido que nasce dos ensinamentos e do exemplo de Jesus. E o mandato e a maneira de Cristo atuar foi amar os outros e fazer-lhes o bem. Somente amando podemos testemunhar que cremos em Cristo e renascemos de Deus; porque o que não ama e o que odeia continuam na escravidão da morte, no velho fermento da corrupção e da maldade.

O amor é o testemunho pascal que melhor se entende e que melhor pode convencer um mundo que propaga o egoísmo e o ódio. O amor é, além disso, o selo de identidade do discípulo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o sinal da primavera da fé, da Páscoa florida. Ao amor ampara-o a fé e a esperança de que o que já foi iniciado em nós – a vida nova escondida em Deus –, culminará na ressurreição final com Cristo, na nossa vitória, juntamente com Ele, sobre o pecado e o mal do mundo.

O nosso testemunho pascal do amor há de ser tanto individual como comunitário. Amar os irmãos, especialmente os mais pobres e necessitados, é testemunhar que no nosso coração se realizou a passagem das trevas para a luz, da morte para a vida, do egoísmo para a solidariedade, do ódio e da indiferença para a reconciliação e a fraternidade. Numa palavra, amar é ser testemunhas, como os apóstolos, de que vimos o Senhor com os olhos da fé e Ele entrou completamente na nossa existência.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova
fonte: http://blog.cancaonova.com

Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei!

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
(João 15,1-8)

Homilia:

A ideia central do Evangelho de hoje é a união permanente do discípulo com Jesus mediante o amor, isto é, mediante o cumprimento dos Seus mandamentos; porque o amor prova-se na obediência da fé. Este breve texto é uma transição entre a comparação da videira e a declaração de amizade que Cristo depois fará aos que até então não eram mais que Seus discípulos.

O amor mútuo do Pai e do Filho transvaza-se de Cristo para o discípulo e deste para os irmãos; Jesus diz: “Como o Pai me amou, assim eu vos amei; permanecei no meu amor”. Cristo afirma agora do amor o que antes disse da vida no Seu discurso do pão da vida: “Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim”. Amor e vida são conceitos intercambiáveis e realidades equivalentes na literatura joanina.

E como permanecer no amor de Cristo? “Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como eu guardei os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor”, diz Jesus, porque “aquele que me ama guardará a minha palavra”. As expressões “aquele que me ama” e “permanecereis no meu amor”, entendidas à luz de toda a mensagem de Cristo, equivalem a “aquele que ama o irmão ama-me a mim”. Por que, que pode estar seguro de mar a Deus e a Jesus, a quem não vê, senão amando o irmão a quem vê? Por isso, mais adiante Jesus insistirá no amor fraterno.

Amar o Senhor é guardar os Seus mandamentos. Amor e obediência não são adjetivos que se excluam um ao outro. Porque o amor brota da obediência, e esta, por sua vez, exprime e aumenta o amor, como sucede com Cristo a respeito do Pai. A relação existente entre o amor e a obediência é muito estreita; apoiam-se e completam-se mutuamente. Quando o amor leva a sacrificar o próprio querer para se conformar com a vontade do outro, conseguindo a fusão de vontades, então o amor é maduro e realiza-se o que dizia São João da Cruz: “Amada no amado transformada”. A felicidade está em relação direta com a capacidade de sacrifício.

O amor e a obediência unidos criam alegria gozosa. Por isso Cristo comunica a sua alegria aos seus, como uma antecipação da felicidade eterna de amar e ser amados. O amor gera alegria quando é totalmente livre, isto é, quando está completamente isento de egoísmo e de interesse próprio. O amor é compreensível e prestável, “não é invejoso, não é egoísta, não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade, tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta”, como diz a Sagrada Escritura.

Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova
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Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.
(João 15,1-8)



Homilia:

Padre Pacheco

Comunidade Canção Nova
fonte: http://www.cancaonova.com

A videira e os ramos. Com o Evangelho de hoje começa o capítulo 15 de São João, segunda seção do discurso da despedida de Jesus. Se antes Cristo falou da comunhão de vida com os seus mediante a sua morada em que O ama guardando a sua Palavra e diante da presença do Espírito, agora acentua de novo esses laços de união mediante outra comparação: a videira e os ramos.

“Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanece na videira, assim também vós se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós os ramos; o que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. A união com Cristo é condição inevitável para dar fruto como cristão, porque n’Ele, que é a cepa, vem a seiva para os ramos.

É evidente a realidade bíblica da comparação joanina a cerca da videira. No Antigo Testamento o povo de Israel é a vinha que o Senhor cuida amorosamente. Em São João, a videira é o próprio Jesus. Mas esta videira evangélica, enquanto símbolo de Jesus e dos crentes, vem a ser também imagem do novo Israel: a Igreja. No símbolo paulino do corpo, do qual Cristo é a cabeça e nós os membros, encontramos uma equivalência aproximada à alegoria da videira e dos ramos.

O Concílio Vaticano II, ainda que prefira o conceito bíblico de “povo de Deus” para definir a Igreja, dá nota das múltiplas imagens bíblicas que nos aproximam do mistério eclesial, tais como corpo, videira, redil, morada, templo, etc… Em todas elas se fala de relações pessoais e comunitárias com Deus, com Cristo e com os irmãos.

Cristo diz que Ele é a videira verdadeira, o novo Israel, que substitui a antiga vinha, arrasada porque não deu mais que uvas azedas, Por isso, como ensina a parábola dos vinhateiros homicidas , o Reino de Deus passou para outro povo que produzirá os seus frutos. A fé em Cristo não tem conotações raciais nem o monopólio de ninguém. Assim o deixa claro a primeira leitura de hoje.

Alguns integristas, vindos da Judéia para Antioquia, tentavam fechar a porta que a Igreja primitiva acabara de abrir aos não judeus com a conduta de Pedro em casa do centurião romano Cornélio e com a missão de Paulo e Barnabé aos gentios. Esta minoria de puritanos, chamados “judaizantes”, exigiam, entre outras prescrições da lei mosaica, a circuncisão para os convertidos do paganismo. Segundo eles, como condição de salvação. A comunidade antioquenha delegou a Paulo e Barnabé que fossem a Jerusalém conferenciar com os apóstolos e presbíteros. Assim teve lugar uma assembleia plenária em Jerusalém, o primeiro Concílio da Igreja, que optou pela liberdade de Cristo.

Ser cristão, ser discípulo de Cristo, não será uma questão somente de aceitar e professar uma doutrina, de respeitar certas normas de moral e de agir em consequência. Não; trata-se sobretudo de permanecer unido a Jesus pelo amor e a obediência da fé que dá vida. Por isso Jesus repete insistentemente: permanecei no meu amor, porque sem mim nada podeis fazer.

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 27“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. 29Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.
30Já não falarei muito con­vosco, pois o chefe deste mundo vem. Ele não tem poder sobre mim, 31amas, para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, eu procedo conforme o Pai me ordenou”
(João 14,27-31a)





Homilia:

Padre Bantu Mendonça K. Sayla
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Chegou à hora do Príncipe da Paz partir para o seio do Seu Pai. E não querendo deixar seus melhor amigos em conflito, em guerra rompe o silencia provocado pelo medo da solidão que seria provada pela sua ausência. Então se levanta e pronuncia as benditas palavras: Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Não fiquem aflitos, nem tenham medo.

Trata-se aqui do discurso da despedida. O mestre sabia que tinha chegado a hora de sair deste mundo. E por isso, não queria partir sem dar sossego, calma, segurança, tranqüilidade, amparo, conforto, prosperidade, vitória em fim garantia de vida plena.

O mestre faz uma clara declaração da sua personalidade. Ele é, por natureza, comunicador de paz. Sem dúvida, não estamos às voltas com uma espécie de paz intimista e sentimental. A paz de Jesus é muito mais do que isto! Ele é O Príncipe da Paz.

A paz é um dom de Jesus para seus discípulos, em vista do testemunho que são chamados a dar. Ela visa à ação. Por isso, não pode reduzir-se ao nível do sentimento. A paz de Jesus tem como efeito banir do coração dos discípulos todo e qualquer resquício de perturbação ou de temor que leva ao imobilismo. Possuindo o dom da paz, eles deveriam manter-se imperturbáveis, sem se deixar intimidar diante das dificuldades.

Assim pensada, a paz de Jesus consiste numa força divina que não deixa que os discípulos rompam a comunhão com o Mestre. É Jesus mesmo, presente na vida dos discípulos, sustentando-lhes a caminhada, sempre dispostos a seguir adiante com alegria, rumo à casa do Pai, apesar das adversidades que deverão enfrentar.

A paz do mundo é bem outra coisa. A paz do mundo é falsa e enganosa, coexistindo com a perturbação e o medo. A paz do mundo é a ausência de discordâncias, questionamentos ou conflitos, vigorando a submissão geral à ordem imposta pelo poder.

Encontra-se na fuga e na alienação dos problemas da vida. Leva o discípulo a cruzar os braços, numa confiança ingênua em Deus do qual tudo espera, sem exigir colaboração. Neste sentido ela é uma paz que conduz à morte!

O discípulo sensato rejeita a paz oferecida pelo mundo para acolher aquela que Jesus oferece. Pois eles sabem que só a paz de Jesus desfaz a paz que o mundo e os seus homens podem oferecer.

A paz de Jesus é a paz que é fruto da prática libertadora, fraterna, solidária, restauradora da vida e da dignidade dos homens e mulheres. É a paz do reencontrar a vida na união de vontade com o Pai.

Jesus Príncipe da Paz dá-me a constância na fé e na esperança para que jamais duvide das vossas promessas.

Deixo-vos a minha Paz. Sim Senhor Jesus eu dá-me a graça e a força para que no meu dia a dia eu a começar por hoje e agora eu tome posse da vossa Paz. Paz que me tranqüiliza a alma e me faça em tudo mais do que vencedor porque Tu estás comigo e em mim.

Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei!




Depois que Judas saiu do cenáculo, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo.33aFilhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. 34Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. 35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.
João 13,31


Homilia:
Mons. José Maria
fonte:
www.presbiteros.com.br


Na Liturgia de hoje, uma vez mais, é proposto à nossa reflexão o mistério pascal em toda a sua extensão: desde a presença e influência do Ressuscitado na Igreja até à participação na sua glória.

O Evangelho (Jo 13, 31-35) refere-se ao momento em que, após ter anunciado a traição de Judas, Jesus fala da sua glorificação como se se tratasse de uma realidade já presente, vinculada à sua Paixão: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele” (Jo 13, 31). O contraste é chocante, mas apenas aparente; na verdade, aceitando ser traído e entregue à morte para a salvação dos homens, Jesus cumpre a missão que recebera do Pai e isto constitui o motivo preciso da sua glorificação.

Jesus continuará no meio de seus discípulos pelo amor com que os amou e que lhes deixa como herança para que vivam nele e o realizem sempre nas suas relações mútuas. “Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). O amor recíproco, ajustado ao amor do Mestre, ou melhor, nascido dele, garante à comunidade cristã a presença de Jesus, da qual é o autêntico sinal. Ao mesmo tempo, é o distintivo dos verdadeiros cristãos: “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13, 35). Assim a vida da Igreja começou amparada numa força de coesão e de expansão totalmente nova e dotada de um poder extraordinário, porque fundamentada, não no amor humano que é sempre frágil e falho, mas no amor divino: o amor de Cristo revivido nas relações mútuas dos fiéis.

O amor ao próximo já estava ordenado no Antigo Testamento (cf. Lv 19, 18), e Jesus ratifica-o, dando-lhe o lugar que lhe corresponde no conjunto da Lei: o segundo mandamento. Este é semelhante ao primeiro: amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente (cf. MT 22, 37-40). Mas Jesus dá ao mandamento do amor fraterno um sentido e um conteúdo novos ao dizer “como Eu vos amei”. O amor ao próximo que se pedia na Antiga Lei alcançava também de algum modo os inimigos (Ex 23, 4-5); a medida do amor cristão não está no coração do homem, mas no coração de Cristo, que entrega a sua vida na Cruz pela redenção de todos (cf. 1Jo 4, 9-11). Nisto consiste a novidade do ensinamento de Jesus, e bem pode dizer o Senhor que é o seu mandamento, expressão da sua última vontade, a cláusula principal de seu testamento.

Não se pode separar o amor ao próximo do amor de Deus: “O maior mandamento da Lei é amar a Deus de todo o coração, e ao próximo como a si mesmo (cf. MT 22, 37-40). Cristo fez deste mandamento do amor para com o próximo o seu mandamento, e enriqueceu-o com novo significado, identificando-se com os irmãos como objeto da caridade, dizendo: “o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes” (MT 25, 40).

Cristo, apesar de ser a própria pureza, a sobriedade, a humildade, não põe como distintivo para os seus seguidores nenhuma destas virtudes, mas a caridade: “O ensinamento e o exemplo do Mestre são claros e precisos. Passados vinte séculos, ainda continua a ser um mandamento novo, porque muito poucos homens se têm preocupado em colocá-lo em prática; os restantes, a maioria, preferem desconhecê-lo. Com um egoísmo exagerado, perguntam: ‘para quê mais complicações? Já me bastam as que tenho com as minhas coisas’. Não é admissível semelhante atitude entre os cristãos. Se professamos essa mesma fé, se ambicionamos verdadeiramente seguir as pegadas, tão nítidas, que os passos de Cristo deixaram na terra, não podemos conformar-nos com evitar aos outros os males que não desejamos para nós mesmos. Isto é muito, mas é muito pouco, quando compreendemos que a medida do nosso amor é definida pelo comportamento de Jesus. Além disso, Ele não nos propõe essa norma de conduta como uma meta distante, como o coroamento de toda uma vida de luta. É – e insisto que deve sê-lo para que o traduzas em propósitos concretos – o ponto de partida, por que Nosso Senhor o indica como sinal prévio: nisto conhecerão que sois Meus discípulos” (Amigos de Deus, nº 223).

Assim acontecia realmente entre os cristãos dos primeiros séculos, no meio da sociedade pagã, de modo que, como escreve Tertuliano em fins do século II, todos podiam dizer ao ver a vida daqueles fiéis: “Vede como eles se amam”.

Este amor é o segredo do zelo incansável de Paulo e de Barnabé de que nos fala a primeira leitura (At 14, 20-27).

Na Eucaristia encontramos a força para amar como Jesus nos amou. Pois, “nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4, 19). Acolhamos a palavra de São Paulo: “Imitai a Deus como filhos queridos, agi com amor, como Cristo vos amou…” (Ef 5, 2).

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
João 14,1-6

Homilia:
Padre Bantu Mendonça K. Sayla
fonte: http://blog.cancaonova.com


Diante de tantas dificuldades pelo que passamos: situação de traições, abandono, desconfiança, injustiças, calúnias, fofocas, doenças, desemprego, complicada situação financeira. Assim como ontem ante a sua partida para o Céu, Jesus confortou os seus discípulos para que não se preocupassem, assim também hoje e neste evangelho acontece. Dirigia palavras de conforto. Ele mostra-nos que não nos deixa abandonados.

O nosso Deus é um Deus presente. É preciso viver a certeza de que Ele está no meio de nós dando-nos forças e coragem para que cada dia avance seguindo rumo à meta. Sabemos que o caminho é duro de mais. E Muitas vezes parecem infindo. E o melhor e sentar e desistir. Todavia, meu filho, minha filha, o mérito, a vitória, o segredo, ou seja, o trunfo de tudo isto está saber que enquanto caminhamos ouçamos e sintamos ecoar dentro de nós as santas palavras de Jesus: Não se perturbe o vosso coração. Creiam em Deus e creiam também em mim.

Com Jesus e por Jesus nós somos mais dos vencedores. Ele é a única solução da nossa vida. Ele é o caminho que nos conduz à casa do seu e nosso Pai. Quero relembrar a figura da porta. Jesus é a porta de entrada para a casa do Pai.

Se com fé, confiança e perseverança clamares por Ele. Virá erguê-lo ainda que estejas no fundo do poço. Por com Jesus e pela força da oração tudo pode ser mudado.

Isto não são falácias, sofismas. Quem nos garante é ele mesmo: quando eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e os levarei comigo para que onde eu estiver vocês estejam também.

Na dúvida de Tomé, Jesus já respondeu a minha e a sua dúvida. Portanto, creia, acredite, professe a sua fé em Jesus que é o caminho, a verdade e a vida que nos conduz até Deus nosso Pai.

Quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.

Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16“Em verdade, em verdade vos digo: o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17Se sabeis isto, e o puserdes em prática, sereis felizes.18Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na Escritura: ‘Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar’. 19Desde agora vos digo isto, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou.
20Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar, me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”.
(João 13,16-20)



Homilia:
Padre Fabio de Freitas
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Padre Pacheco
Comunidade Canção Nova
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O texto evangélico de hoje, não sem influência dos Evangelhos sinóticos, é um comentário à cena que o precede imediatamente. Sendo o Mestre e o Senhor, Cristo humilhou-se até a um gesto de escravo: lavar os pés aos Seus discípulos. “Dei-vos o exemplo para que façais o que eu fiz convosco. O servo não é maior que o amo, nem o enviado maior que quem o enviou. Se compreenderdes isto, sereis felizes se o puserdes em prática”.

Jesus levou ao cúmulo os gestos fraternais de serviço que propõe aos seus discípulos, pois fez-se escravo inclusivamente de quem ia atraiçoá-lo daí a poucas horas.

Reivindicar este título divino “eu sou”, em semelhante contexto de traição e morte, é muito significativo, pois une a revelação da Sua divindade com a máxima humilhação de si mesmo.

O Deus que Jesus revela na Sua Pessoa não é um deus prepotente e dominador, mas um Deus humano, um Deus que ama, que sofre, que morre num gesto de serviço e de amor aos seus.

Deus é amor, diz São João; e a medida do amor é amar sem medida. A medida da grandeza divina de Cristo não é o poder, mas o serviço e a entrega de si mesmo até à morte, fazendo-se o homem para os outros. Por este caminho de submissão e de humilhação alcançou a vida imortal e gloriosa aquele que veio servir e não para ser servido. Igualmente, como afirmou Jesus repetidas vezes, a medida paradoxal da grandeza do seu discipulado será também fazer-se o último e o servidor de todos.

O cristão comprometido que pensa, fala e atua como Cristo participará necessariamente no Seu destino de humilhação e de glória. Seguir o exemplo de Jesus não é repetir ritos, mas atitudes: amor e serviço, entrega e renúncia, obediência e autossubmissão. Amor e serviço soam mais positivamente que sacrifício e renúncia, mas este último indica, com realismo, o caminho a percorrer para o primeiro. O amor sincero e o serviço alegre, ao estilo de Jesus, têm de ser o modo de presença do cristão e da Igreja no nosso mundo e sociedade.

Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou.

Naquele tempo, 44Jesus exclamou em alta voz: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.
47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50Eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”.
João 12,44-50

Homilia
Padre Pacheco,
Comunidade Canção Nova.

Anunciar Cristo, e não as próprias idéias, é o serviço e a fidelidade à missão por parte de Paulo e Barnabé, como nos mostra a primeira leitura de hoje. A cidade de Antioquia da Síria converteu-se num foco pujante de Cristianismo, de onde parte a evangelização para os não judeus. O texto começa com um tom de otimismo, próprio dos resumos de Lucas nos Atos: a palavra de deus crescia e propagava-se.

Entre os profetas e mestres que havia na carismática comunidade de Antioquia mencionam-se cinco, entre os quais se destacam barnabé e Paulo, a quem o primeiro trouxera de Tarso. São precisamente eles os dois que o Espírito Santo seleciona , sem duvida pela boca de algum dos profetas, num dia em que jejuavam e prestavam culto ao Senhor. “Com esta missão do Espírito Santo”empreenderam Paulo e Barnabé a sua primeira viagem missionária, de cuja trajetórias e peripécias irá dando conta a primeira leitura falará por alguns dias futuros.

É muito importante sublinhar os pormenores. Primeiro: a escolha dos missionários tem lugar num contexto litúrgico. “Um dia em que jejuavam e prestavam culto ao Senhor, disse o Espírito Santo: separai Barnabé e Saulo para a tarefa a que os chamei”. E segundo: a comunidade de Antioquia solidariza-se com o envio missionário que tem a sua origem no Espírito: “voltaram a jejuar e a orar, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos”. Assim se unem culto e missão, fé e evangelização.

Do mesmo modo que não há amor a Deus sem amor aos irmãos, assim também não há liturgia autêntica sem a comunidade que a celebra, e cada um dos seus membros, não se sente interpelada pelo Espírito para a missão apostólica. Uma comunidade aberta não se contentam em reunir os que já estão nela nem celebra o culto para deleite dos devotos, mas vive intensamente a dimensão missionária.

Mais ainda: segundo São Paulo, se toda a vida do cristão animado pela caridade deve ser culto espiritual, “o sagrado ofício de anunciar o evangelho”é uma liturgia em que o apostolo, isto é, Cristo, por meio dele, oferece os homens a Deus.

fonte:http://blog.cancaonova.com

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